O Chamado do Cuco - Robert Galbraith

Editora: Rocco
Páginas: 448
Ano: 2013
Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega. Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios.



Esta foi a primeira experiência de JK Rowling num mundo que não era dela originalmente – o romance policial. Dona de uma história que a consagrou mundialmente, Harry Potter vai ficar de lado nesta incursão de sua autora – que escreve com o pseudônimo de Robert Galbraith – no mundo dos trouxas, ops, no mundo real.

O Chamado do Cuco foi o primeiro da série Cormoran Strike, que já está em seu terceiro livro (este último lançado dia 20 de abril de 2016 - Vocação para o Mal), e que ela pretende que sejam sete (à la HP)...

JK (vou continua-la chamando assim, é mais fácil) decidiu que um pouco de realidade para quem se construiu de fantasia poderia fazer bem. De fato, ela possui elementos estilísticos da escrita que conseguem envolver – não prender – um leitor que já seja fã da sua obra (eu, por exemplo); mas creio que, para um leitor de romances policiais mais exigente, mais purista (para não dizer radical), ela não teria tanto êxito.

Sobre as minhas impressões: hoje em dia, muita gente prefere os livros “tijolões”, daqueles com mais de 400 páginas, onde acredita-se que as descrições de ambientes e personagens, os conflitos psicológicos, as tramas paralelas, as minúcias das investigações e os diálogos reveladores estarão bem desenvolvidos e assim teremos mais tempo sentindo prazer com a leitura. O que se revelou aqui foi um tanto disso que eu descrevi acima e um outro tanto de enrolação.

O livro se passa com o decadente detetive particular Cormoran Strike (filho de um relacionamento extraconjugal do seu pai – um cantor de rock famoso – com sua mãe, que cuidava dele e da irmã de forma relapsa) e da sua improvável parceira, a secretária temporária Robin, que juntos irão atrás da verdade sobre a morte da modelo internacional Lula Landry (conhecida por Cuco entre seus amigos). O irmão da falecida pede ajuda a Strike, pois ele tem certeza que a morte da irmã não foi acidente; isso o ajudará financeiramente (já disse que ele estava em decadência?), já que não tem muitos casos a resolver; tem seu passado para lhe assombrar (é um veterano ferido de guerra) e depois de ter deixado a mulher com quem vivia, dorme agora no escritório. Espero que isso se resolva no próximo livro!

Já Robin – a secretária temporária/assistente – é talvez a melhor coisa que tenha acontecido nos últimos tempos a Strike; ela ajuda a colocar a vida do detetive em dia e vai ser aquela que consegue se concentrar para ajudar o patrão a resolver o enigma. De características dóceis (de certa forma), a assistente faz com que o livro não seja tão duro ou chato.

O mundo real pareceu bastante desonesto e cruel à JK que o descreveu com a exatidão de quem vive naquelas ruas ou ao menos está no seu contexto de cidade.  Câmeras de segurança, pessoas correndo com agasalhos que cobrem o rosto, testemunhas que não conseguem descrever nada com precisão. Tudo que poderia ajudar, mas que só atrapalha. A capa da edição brasileira – a mesma que você vê no começo da postagem – dá uma boa ideia do que eu quero dizer; uma Londres sombria, envolvida com o fog (agora só psicológico, já que o famoso fog londrino não existe mais) e que dá a dimensão das sensações, inclusive do frio em que a morte aconteceu, que a história se desenrola, lembrando-nos dos primeiros livros clássicos da literatura policial noir.

Achei muito interessante ela colocar o Strike em uma situação de vida similar a de outro detetive famoso da literatura - Sam Spade, criação de Dashiell Hammett, pai da literatura noir (leia aqui) - que também mora em seu escritório. As diferenças são várias outras, entre elas o cenário... Mas creio que valha a citação como homenagem, 


Achei o livro bem interessante, mas não a melhor coisa do mundo. Espero que no segundo livro – O Bicho da Seda – JK Rowling/Roberth Galbraith tenha se acertado mais e que possa ir se aprimorando rapidamente, já que talentosa para prender a nossa atenção ela já é.

Abraços literários e até à próxima!


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