Dias Perfeitos - Raphael Montes

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 278
Ano: 2014



O protagonista do livro é Téo, um jovem e solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e dissecar cadáveres nas aulas de anatomia. Num churrasco a que vai com a mãe contrariado, Téo conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema.
Clarice está escrevendo um road movie de nome “Dias perfeitos”. O texto ainda está cru, mas ela já sabe a história que quer contar: as desventuras de três amigas que viajam de carro pelo país em busca de experiências amorosas.
Téo fica viciado em Clarice: quer desvendar aquela menina diferente de todas que conheceu. Começa, então, a se aproximar de forma insistente. Diante das seguidas negativas, opta por uma atitude extrema: desfere um golpe na cabeça dela e, ato contínuo, sequestra a garota.
Elabora então um plano para conquistá-la: coloca-a sedada no banco carona de seu carro e inicia uma viagem pelas estradas do Rio de Janeiro - a mesma viagem feita pelas personagens do roteiro de Clarice.
Passando por cenários oníricos, entre os quais um chalé em Teresópolis administrado por anões e uma praia deserta e paradisíaca em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita: Téo a obriga a escrever a seu lado e está pronto para sedá-la ou prendê-la à menor tentativa de resistência. Clarice oscila entre momentos de desespero e resignação, nos quais corresponde aos delírios conjugais de seu sequestrador.
O efeito é tão mais perturbador quanto maior a naturalidade de Téo. Ele fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas decisões com lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante - e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, digno dos melhores thrillers da atualidade.
Dias Perfeitos tem clima sombrio e claustrofóbico, personagens em tensão permanente e diálogos afiados. Angustiante e repleto de reviravoltas, o livro é uma história de amor obsessivo e paranoico que consolida Raphael Montes como uma das mais gratas surpresas da literatura brasileira.





Antes de mais nada, vamos esclarecer!! Não é um romance policial. É uma história de amor...bizarra! Mas você escreveu na coluna de romance policial!!! Sim, ele é classificado assim e, vamos combinar, o amor é ou não é um caso de polícia??

Realmente meus dias foram perfeitos na companhia deste livro.

Quando resolvi ler Dias Perfeitos, não fazia a menor ideia do que me esperava; não tinha lido a sinopse, não tinha lido nada do Raphael Montes antes, só tinha ouvido falar nele, que era a nova sensação da literatura policial nacional (e é mesmo!), tinha visto a capa do livro (um gnomo num gramado) que não queria me dizer nada, etc. E isso não era suficiente para eu ter uma ideia do que viria a seguir. Ainda bem!

Quem resolve ler um livro “no escuro” como eu fiz, pode ter algumas boas surpresas pelo caminho. Então, se você leitor, ainda não teve a oportunidade de saber nada a respeito do autor e sua obra e quer viver uma boa aventura e uma excelente aventura, aconselho veementemente a parar de ler essa resenha agora mesmo! O que está por vir aqui não são ‘spoilers’, mas podem te dar uma dimensão diferente da profundidade do teor do livro. É insone. E insano. Mas, perfeito! Agora, se você não está em busca de algo alucinante e viciante, fique à vontade para continuar.

Na verdade, como eu não sei como começar, vou pela capa. Como eu disse anteriormente, não diz absolutamente nada, não faz nenhum sentido. Alguém mais atento poderia pensar no filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain” e sua brilhante sacada de fazer o gnomo do seu pai viajar pelo mundo. Mas não. Quando se avança na história, percebe-se que a sua presença ali tem contexto diverso e que vai fincar no fundo do seu cérebro (em todas as áreas que a memória se aloja) e para sempre você vai se lembrar deste gnomo. Para sempre.

Os protagonistas improváveis – Téo, o estudante de medicina que cuida da sua mãe paraplégica e Clarice (como a Lispector) a menina que quer ser cineasta e está escrevendo um roteiro de filme chamado “Dias Perfeitos” – tem a sintonia que se é necessária para que o livro permaneça quente em nossas mãos e que, ao final da leitura possamos dizer, como eu disse, que tive dias perfeitos.

Raphael Montes conseguiu uma forma de nos captar e viciar em seus livros, tal qual poucos conseguiram. Seu jeito extremamente particular de escrever é talvez uma idiossincrasia sua, mas que nos entrega personagens, ambientes e tramas de uma forma quase surreal (não no sentido surrealista das artes plásticas como Salvador Dalí), mas um surrealismo palpável, aconchegante e incômodo ao mesmo tempo.

Não se engane, caro leitor, essa é uma história de amor. Talvez uma versão bem peculiar dos ultrarromânticos como Camilo Castelo Branco (autor de Amor de Perdição), mas sem uma trama melosa (a não ser que seja melada de sangue). Téo e Clarice formam a mais improvável das duplas de amor. Juro que é amor. Os mais céticos me contradirão. Mas o amor é o que há!

Tentem ler em mais tempo que uns dois dias (que foi o tempo que eu li, sob muitos protesto – lia até em restaurantes). Não dá. A gente fica acordado, quer saber qual o destino daqueles dois, qual o próximo passo dedicado de Téo em relação à Clarice. Ele é um romântico-apaixonado-incurável. E ela? É também, do seu jeito independente de ser... Escolha seu lado... e tente ficar com ele até o final!

Vou ler de novo futuramente, para ter a perspectiva do fim da história desde o começo e ver quais peças Raphael Montes nos preparou e que nós deixamos passar, no afã de saber o que vinha a seguir.
Super recomendo urgente! Leia, leia, leia!

BÔNUS: O booktrailer é um dos mais interessantes a que já assisti! Veja aqui


Abraços literários!



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