Café com Crime: Assassinato no Condomínio de Luxo - Tito Prates

Pois é, foi organizada por fascistas de ultra-direita da Igreja e ainda mais fanático que os militares. A tal VHP era uma das organizadoras. (...) Conheci um monte de gente nos anos 60 e 70 que largou família e entrou na tal organização.


Vindo de um aficionado por Agatha Christie, nosso embaixador da Rainha no Brasil, Tito Prates, nos presenteou com uma obra digna da sua grande mestra. Se você ainda não conhece, deixa eu te dar uma pequena amostra.




Assassinato no Condomínio de Luxo se passa em uma pequena cidade-dormitório próxima à São Paulo. Lá ocorrerá a morte de Ludmilla, funcionária da casa dos Ribeiro, um povo estranho que faz parte da VHP (Valores, Honra e Postura) – uma secção da Igreja Católica. E para não negar suas origens, lá mora a detetive-amadora Pierrette Gobbo – Piera para os íntimos – uma bela ruiva colecionadora de carros e livros de detetives, apaixonada por Coca Zero e Boris (seu cachorro).


Pierrette fica sabendo da tragédia com Ludmilla por Dodo, que trabalha em sua casa há vários anos. Ludmilla havia sido degolada e o principal suspeito é Marcos, genro dos tais Ribeiros. Piera é uma personagem fascinante, que tem uma curiosidade incessante junto com algum método, como se fosse um pequeno híbrido de Poirot e Miss Marple (os dois principais detetives dos romances de Agatha Christie) o que dá charme e muita personalidade à protagonista, que faz com que todos (ou quase todos) gostem dela. Através dessas amizades incondicionais, Pierrette faz um trabalho de farejador que consegue chegar a diversos lugares e obter respostas que a polícia não teria.  É claro que ela vai desvendar o crime de maneira brilhante, o que não poderia ser diferente e, ao contrário de Poirot, a grande reunião do final não vai ser para revelar o culpado, mas sim uma grande festa para agradecer as ajudas de seus amigos.


Usando de muito tato e bom senso, Tito conseguiu dosar as conquistas de informações de Piera para que estas não parecessem piegas ou forçadas; ali tudo é muito simples, quase orgânico, sem devaneios ou operações de grande risco por uma pista. Todos elementos de uma boa história estão presentes, todos os pontos de tensão são formados por cenas bastante verossímeis e as descrições são de bom tamanho.


Tito Prates conseguiu fazer personagens carismáticos, com uma boa dose de empatia, mesmo quando eles são milionários e levam vidas extravagantes. Pierrette é um amor de pessoa e não tem como não amá-la; de Morgana, grande amiga de Pierrette, chegamos a ter pena, já que passa dura vida com seu pai extremamente pão-duro; mesmo nos lugares mais inóspitos da natureza humana, o autor conseguiu nos brindar com uma excelente trama, bons personagens, narrativa leve e agradável e fazendo com que a literatura nacional pudesse ter mais um acréscimo de coisas boas.


Obrigada, Tito pela sua contribuição e que venha mais Pierrette “Piera” Gobbo para nós, pois esta me deixou com saudades!

O livro está disponível somente em e-book.


Abraços literários!


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