Autores e Seus Arrependimentos




Falar algo e depois se arrepender...Quem Nunca?...tomar uma atitude precipitada, quebrar a cara e ver que podia ter feito de outra forma...Quem sempre?...escrever um livro, fazer sucesso com ele e tempos depois rejeitar a própria obra...Eita!...aí a P*@# ficou séria.
Autores que acabam se arrependendo do que escreveram é mais comum do que se pensa. Nessa lista dos arrependidos encontramos autores clássicos como Lewis Carroll e até contemporâneos como J.K Rowling. Vem conferir!


Mudanças são absolutamente comuns na nossa caminhada. A Ivy de hoje é muito diferente daquela que existia há dez anos ( gente...e quando eu falo diferente...é diferente mesmo). Minhas ideologias mudaram, convicções, forma de vestir e até o cabelo. 
Igual a nós,nossos queridos autores também estão sujeitos a esses revezes, o problema é que como formadores de opinião, quando um renomado autor  se arrepende do que escreveu, nós leitores e seguidores fiéis...meio que ficamos sem chão.

Dia desses, estava eu a buscar livros sobre a História da América do Sul e dentre as obras recomendadas estava " As Veias Abertas da América Latina" de Eduardo Galeano,  obra tida como referência sobre o assunto. Este livro, escrito no início dos anos 70, foi a bíblia de todos aqueles que
Ocorre que no ano passado, o autor  renegou a própria obra. Galeano chegou a dizer que cairía dormindo se lesse o próprio livro atualmente ( Que isso Braseell!). Disse também que o livro tencionava falar sobre economia política, contudo, ele afirma que não tinha o preparo necessário para discutir o assunto na época. 
Ah...se arrependimento Matasse...já tava morto.
se sentiam roubados pelo velho mundo. Era a voz dos excluídos, dos revoltozos colonizados, de todos aqueles que tiveram a sua cultura invadida e modificada pelos interesses dos colonizadores, era também um manifesto anticapitalista,antiamericano. Hugo Chávez ironicamente presenteou  Barack Obama com um exemplar.
A polêmica declaração fomentou a velha discussão política e ideológica entre Direita e Esquerda. A Direita super se  achando com o descrédito do livro  e a Esquerda tentando defender a legitimidade da obra. Em outras palavras, Galeano plantou a semente da discórdia e se retirou.


Outro livro que acabou no limbo do próprio  autor foi "O Segredo de Brokeback Mountain". Annie Prolux, autora do livro, deu diversas declarações onde dizia ter se arrependido de ter escrito o polêmico romance gay. Annie disse em entrevista que tudo estava bem quando a mesma escreveu o livro em 1997, mas quando aconteceu o lançamento do filme em 2005,  as coisas desandaram.
 A autora relata que recebeu diversos pedidos de que um outro final fosse dado aos personagens principais. A não aceitação de um" final infeliz" para o casal tirou a paz da autora e em uma das declarações Annie foi enfática ao dizer que :

Pata quá paral...maldita hora que fizeram o filme.
Eles simplesmente não conseguem suportar a maneira como a historia termina. Eles não entendem que a historia não é sobre Jack e Ennis, é sobre homofobia. Trata-se de uma situação social, trata-se de um lugar e de uma mentalidade particular e moralidade.

Infelizmente, na vida real...muitos casais terminam exatamente como Jack e Ennis. Então,embora se queira um final feliz nos livros, faz bem mostrar a realidade também. Quem sabe o povo acorda!. Annie, querida...tô contigo, mana!.
Eu não creio que tenha explicado com sucesso minhas razões por desgostar que cartas minhas sejam adicionadas a coleções. Toda essa sorte de publicidade leva estranhos a conhecer meu nome verdadeiro e minha conexão com os livros, a ser apontado e abordado por estranhos na rua, e ser tratado como um “leão”. E eu odeio isso tão intensamente que, às vezes, eu quase desejo que eu nunca tivesse escrito livro algum.
Lewis Carroll
Gente...super me identifiquei com Lewis. Não, eu não tenho um livro de sucesso publicado (Ainda). Mas com esse meu jeito antissocial de ser, também começaria a me espantar com gente me apontando na rua e me chamando pelo nome como se tivesse trocado as minhas fraudas.
Esse trecho destacado acima foi retirado de uma carta escrita pelo autor do sucesso astronômico e centenário "Alice no País das Maravilhas". Neste desabafo feito em 1891, Lewis mostra seu total descontentamento com a fama adquirida por conta de seu livro, preferindo até não ter escrito livro algum. Mas gente...alguém consegue imaginar a literatura sem a magnífica história de Alice?. Nunca Será!.

Ai Carai...agora todo mundo me conhece.

{SPOILER}
Tem autor que não se arrepende de ter escrito o livro, mas se pudesse, não mataria personagens e mudaria casais. Se você está achando que é George R..R. Martin,  maior assassino da literatura contemporânea, engana-se. A Madalena arrependida neste caso é J.K. Rowling.
Era pra casar o Harry com a Hermione. Mas tudo bem. Sorria e acene.
Em entrevistas e relatos em seu site pessoal, a criadora do famoso bruxinho Harry, declarou abertamente ter se arrependido de matar Florean Fortescue. Segundo a autora, inicialmente, a ideia dela era fazer com que Florean tivesse um papel de destaque em As Relíquias da Morte, entregando pistas a Harry para as benditas relíquias. Contudo, quando ela finalmente começou a escrever o livro, Régulo Arturo Black lhe pareceu mais apropriado para esta função. Com isto, Rowling disse que acabou por decidir matar Florean, sem ter um bom motivo.
A autora ainda disse que apesar dele não ter sido o único a morrer por saber demais, foi o personagem que mais lhe doeu matar.
 Depois dessa confissão de Rowling, tô aqui de boas esperando o Martin fazer a lista de arrependimento dele.
Ainda sobre Rowling, em uma entrevista à revista Wonderland, a autora confessou que talvez Hermione e Harry deveriam ter ficado juntos, ela declarou:

"Escrevi o relacionamento Hermione/Ron como uma forma de desejo involuntário. Foi assim que concebi, de verdade. Por razões que tiveram muito pouco a ver com literatura e muito mais com o meu envolvimento com a trama que eu imaginava no início, Hermione acabou com Ron", destacou. Rowling ainda completou: "Foi uma escolha que tomei por motivos bem pessoais e não por motivos de credibilidade. Estou partindo corações de pessoas ao dizer isso? Espero que não."

Por mim...ela ta perdoadíssima, acho Hermione e Ron uma graça. Eu se fosse Hermione...também ficaria com o Ron. Que isso gente...moreno de óculos a gente vê em todo lugar, mas não é sempre que se encontra um ruivo fofinho dando sopa.

Mas a pergunta persiste, como nós leitores ficamos quando amamos um livro e o próprio autor detesta?. Muito simples, continuamos amando o livro. O autor pode ter "Ns" motivos para depois de um tempo odiar o que escreveu, mas isso é problema dele, apenas dele...e que ele aprenda a lidar com isso. 
Quanto a você, continue apreciando a obra, entenda a autocrítica do autor, analise se as justificavas que ele deu para o arrependimento são plausíveis e continue a nadar. Aproveite e aprenda com seu autor favorito algo que vale para toda e qualquer área de nossas vidas.: Autocrítica nunca é demais e reconhecer que errou é só para os fortes.



Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Oiii, adorei o post. É bem raro de ver coisas assim em blogs, mas adorei ter tido a oportunidade de ler, espero ler algo mais assim aqui, achei lindo o layout.
    Beijão
    segredosliterarios-oficial.blogspot.com

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  2. Gostei do post achei interessante, acho que são informações que valem a pena serem refletidas. Pois quando um cara escreve um livro sobre política e depois se arrepende amargamente, algo de errado deve haver aki, política não é ficção. Sobre os outros livros acho que é mais compreensível, no caso de Lewis Carrol com as insinuações de pedofilia e as críticaspolíticas, entre outras coisas presentes nas obras dele, acho que manter-se fora do foco era bem compreensível. Por isso não creio que não era bem do assédio dos fãs que ele queria se preservar.

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