Resenha: Fragmentados.

Fragmentados
               Neal Shusterman

Editora: Novo Conceito
Edição: 368
Páginas: 2015
Sinopse: Fragmentados - Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.


Fragmentados é o primeiro volume de uma série de 4 livros e traz um enredo bastante original, isso porque, diferentemente de outros livros do gênero o autor desenvolve sua trama levantando questões bem pertinentes, dando um tom palpável à história, além de desenvolver o tema sobre a perspectivas de diferentes personagens.

Connor, Risa e Lev, são adolescentes em idades diferentes, de classes sociais diferentes, que se unem por uma situação em comum, todos eles serão fragmentados. Ou seja, serão submetidos à um procedimento de retirada de órgãos, músculos, tecidos, fluídos, no entanto, diferente do mundo atual em que estamos habituados ao processo de doação, Lev, Conor e Rise, ainda estão vivos, não escolheram ser fragmentados, mas de diferentes formas, mas por diferentes razões, foram entregues ao governo para que fossem submetidos a este processo. A única chance de sobrevivência é a fuga. 


“- Porque os fragmentários não estão mortos de verdade. Ainda estão vivos... mais ou menos. Quero dizer, eles têm que usar cada parte de nós em algum lugar, né? Essa é a lei.



O mundo criado por Shusterman é cruel, fascinante e aterrorizante, isso porque, a maneira como o autor conduz a narrativa desperta em nós diferentes questões éticas e filosóficas. Mas fique calmo, nada disso é feito de maneira chata ou cansativa, pelo contrário, o ritmo é dinâmico, tenso e acelerado. 

O livro é dividido em diversas partes, o que me faz perguntar se não é uma analogia ao tema central do livro. Cada uma delas é precedida por uma notícia factual que dá a tônica do que virá. Essa ferramenta se torna perturbadora ao longo da narrativa, pois dá um ar verossímil e provável a trama. Questões como a monetização da vida, como leis podem favorecer o capital, sobre onde começa e termina a vida, os padrões impostos pela sociedade, entre muitas outras tomam forma ao longo do livro. Em terceira pessoa os capítulos são escritos sempre sob o ponto de vista de diferentes personagens, por vezes até de personagens secundários que surgem na história. Confesso que em alguns momentos, essa troca de perspectiva me incomodou, já que os capítulos são curtos em alguns momentos se tornou cansativa essa alternância de narrativa. Porém em nada prejudicou a leitura. 

Com personagens bem elaborados Shusterman envolve o leitor ora despertando sua simpatia, ora a sua repulsa e raiva. Cada um deles tem personalidades intrincadas que despertam sentimentos dúbios em nós. Também é possível perceber o amadurecimento dos personagens ao virar de cada página, a medida que seus mundos vão desmoronando.

Ler fragmentados foi uma montanha russa de emoções, compaixão, raiva, medo, angústia, ansiedade, aflição, carinho... Adorei o livro e estou desejando intensamente sua continuação. Recomendo para quem deseja uma leitura viciante e singular. 

Assista ao book trailer.




Comentários
12 Comentários

12 comentários:

  1. Oie!! Tudo bem?

    Nossa, esse livro foi a melhor distopia que li esse ano. MEU DEUS que negócio bom!! É como você disse: uma montanha russa de emoções.


    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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    1. Também inclui na lista dos melhores do gênero. Adorei.

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  2. Estava procurando algo diferente pra ler, queria uma distopia diferente de tudo que já li, e pelo que li na sua resenha acho que encontei o que eu tanto procurava!

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    1. Pode ir sem medo de errar. É certeiro.

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    2. Pode ir sem medo de errar. É certeiro.

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  3. Eu quero muito ler este livro, cara, eu tinha lido uma resenha que me deixou de 4 por esse livro, e a sua resenha me fez ficar de 8 por ele, eu quero muito conhecer esse mundo tão real criado pelo autor, parabéns pela resenha!!

    Abraços e até!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  4. Andreza, eu não duvido nenhum pouco o quanto essa história é singular.
    Mas apesar dos seus elogios eu não consigo me interessar pela leitura.
    O fato de ser distopia já me desanima e achei muito bizarro, chega a me assustar, por isso passo a dica.

    Lisossomos

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    1. Rsrsrs. Assusta mesmo. Em alguns pontos ficou bem tenso.

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    2. Rsrsrs. Assusta mesmo. Em alguns pontos ficou bem tenso.

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  5. Oiiie
    Não é um livro que chame minha atenção, pois não curto muito o gênero, mas mesmo assim, a história parece ser muito interessante, boa dica e resenha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  6. Oi,
    Li o livro mês passado se não estou enganada, nas primeiras páginas pensei em largar o livro, pois a escrita e ritmo não estava me agradando, mesmo assim continuei e acabei gostando, não estou tão ansiosa pela continuação, mas com toda certeza se tive tempo pretendo ler.
    Parabéns pela resenha.

    Beijos

    Mari - Stories And Advice

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  7. Olá Andressa, adorei a resenha desse livro adoro gêneros assim, e o enredo do livro parece bem dinâmico unido com essa história tensa, gostei!
    Anotei a dica.
    Bjkas
    Dani Casquet- Livros, a Janela da Imaginação

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