Café Clássico: Adaptando para Sobreviver





Dom Casmurro em HQ,Editora Ática
Pensamento normalmente associado à Darwin, adaptar para sobreviver nesse mundão  não é um desafio apenas dos seres vivos, a literatura clássica vêm desde o século XVIII sofrendo diversas mudanças em sua forma e linguagem para alcançar cada vez mais leitores,  mas como moldar os clássicos para atingir leitores cada vez mais jovens?



Ser obrigado a ler um livro clássico na escola, quem nunca? Muitos dos livros até vinham com uma espécie de provinha destacável no final onde você testava seu aprendizado sobre a narrativa do livro, o legal disso é que quanto mais cedo um clássico é introduzido à criança melhor. A parte triste é que durante muito tempo a abordagem do clássico para esse público não foi realizada de forma efetiva o que acabou causando o efeito contrário, as crianças passaram então a detestar os clássicos.

Crianças no século XVIII
Até o conceito de infância ser estabelecido por volta do séc. XVIII com a ascensão da burguesia e seu conceito de família nuclear, não havia uma literatura voltada especificamente para crianças, que eram vistas apenas como jovens adultos. Com esta nova forma de entender a família, separando os interesses de adultos e crianças, muitas histórias ganharam novas abordagens, foi o que aconteceu aos contos do francês Charles Perrault, e dos célebres irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm dois séculos depois do autor francês.

 Com as adaptações dos clássicos, que em seus originais eram bem diferentes (falo sobre isso na postagem Conto de Fadas...Para Maiores!)  a escola passou a ser o primeiro lugar onde os novos contos eram repassados de uma maneira mais pedagógica e sempre carregados de valores morais, daí surge o termo "moral da história". Como o uso dos clássicos se tornou um hábito nas escolas, o ensino da literatura, tempos depois, passou a explorar  e comparar os estilos literários dentro dos próprios clássicos, mas como nem sempre souberam aplicar isso de forma que atraísse os estudantes, aos poucos nossos queridos clássicos mundiais foram rebaixados a uma parte chata do período escolar.

Adaptação de "O Mulato",Aluísio Azevedo
Adaptação de "Lucíola", José de Alencar
Mais recentemente, as editoras especializadas em livros paradidáticos como a Ática e Scipione, velhas conhecidas nossas
dos tempos da escola, precisaram rebolar para adaptar nossos clássicos nacionais e mundiais, como uma estratégia de recuperar  o interesse do público infanto-juvenil e adolescente e assim facilitar a vida dos nossos professores que são verdadeiros guerreiros. 

A coleção "Descobrindo os Clássicos" da Ática , reconta as histórias de livros como "Lucíola" de José de Alencar e "O Cortiço" de Aluísio Azevedo, contudo, além do título um pouco diferente, as histórias se passam nos nossos dias, abordam a vida de um(a) jovem e sua experiência com o livro que inspirou a adaptação , além de possuir uma linguagem mais atual para o público adolescente.

Obras como "O Guarani" também de José de Alencar e muitas outras, ganharam recentemente versões em HQ, algumas delas foram aprovadas pelo MEC e desde 2006 fazem parte das bibliotecas de diversas escolas públicas.

"A Mão e a Luva" (HQ), Machado de Assis
"Os Miseráveis" (HQ), Victor Hugo
Vale ressaltar aqui que de forma alguma as versões adaptadas vão substituir as originais. Eu, como uma verdadeira amante dos clássicos, jamais concordaria com isso, mas é importante usar e abusar desses novos formatos afim de atrair as crianças e adolescentes para as versões originais, ou seja, a ideia é que por meio deles, novos leitores sintam a curiosidade de ler as obras matrizes, assim como a leitura de "Crepúsculo" incentivou uma enxurrada de jovens a conhecerem "O Morro dos Ventos Uivantes" de Emily Brontë  apenas pelo fato dele ter sido citado por Bela durante a história.

Se uma citação tem todo esse poder, imagine uma adaptação? Bom ...me chame de sonhadora, mas eu acredito. De fato essa ideia vêm dando super certo e assim vamos mantendo nossos amados clássicos vivos por séculos e séculos, afinal de contas...neste mundo...só sobrevive quem melhor se adapta.





Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Ivy, acredito que é necessário adaptar.
    Como professora, se você coloca José de Alencar para alunos de sétimo ou oitavo ano eles simplesmente vão detestar e dizer que não entendem nada.
    Se der uma adaptação, talvez em quadrinhos ou o texto sintetizado de outra maneira poderá chamar atenção deles.
    O importante é fazer eles gostarem dos clássicos sem nem perceber direito.

    Lisossomos

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  2. Adorei Ivy. Ainda não li nenhum HQ que seja releitura de clássicos, mas acho uma excelente ideia para aproximar as novas gerações das histórias consagradas.
    :)

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  3. Olá!
    Acredito que essa adaptação é necessária e que deveria ser aderida por mais obras. É uma forma (eficaz) de atingir o leitor mais jovem e fazer com que ele ao menos simpatize com a história.
    Ótimo texto, viu?
    Beijos!

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  4. Lindo seu texto, adorei!!! Concordo que as adaptações são indispensáveis, ja que não fogem do "tema" e ainda possibilitam uma leitura mais rapida e mais divertida. Nao tiram o valor da obra original, apenas as tornam mais acessíveis.
    Beijos!!

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  5. Oi, Ivy!
    Gostei do tema que abordou. Acho que os clássicos, realmente, acabaram ficando cada vez mais de lado a partir do momento em que a literatura contemporânea ganhou espaço e valorização. A linguagem rebuscada e a dificuldade interpretativa do leitor fizeram dos clássicos uma leitura complexa demais. As adaptações vieram para facilitar e popularizar essas obras que, certamente, merecem ser conhecidas. Mas concordo com você que não substituem as versões originais.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com.br/

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