Café com Crime: Resenha "O Silêncio da Chuva", de Luiz Alfredo Garcia-Roza

Uma história simples e complexa ao mesmo tempo, que nos leva a esquecer o morto em muitos momentos, devido ao alto grau de desdobramentos e personagens, mas isso não significa que o livro seja desinteressante, ao contrário, o próprio Espinosa percebe esta situação... um morto que ninguém se importa.



Editora: Companhia das Letras
Páginas: 268
Edição: 1996


Sinopse: No centro do Rio de Janeiro um executivo é encontrado morto com um tiro, sentado ao volante de seu carro. Além do tiro, único e definitivo, não há outros sinais de violência. É um morto de indiscutível compostura. Mas isso não ajuda: ninguém viu nada, ninguém ouviu nada. O policial encarregado do caso, inspetor Espinosa, costuma refletir sobre a vida (e a morte) olhando o mar sentado em um banco da praça Mauá. No momento tem muito sobre o que refletir. De um lado, um morto surgido num edifício-garagem; de outro, a incessante multiplicação de protagonistas do drama. Tudo se complica quando ocorre outro assassinato e pessoas começam a sumir. 

Prêmio Jabuti 1997 de Melhor Romance
Prêmio Nestlé de Literatura 1997 


O título não dá uma ideia do que está para acontecer, mas a chuva é uma figura presente e marca o ritmo da trama, é quase uma protagonista. O autor, que já teve livros escritos sobre psicanálise, utiliza seus conhecimentos na área para dar aos seus personagens uma profundidade emocional e intensamente reais, fazendo com que possamos nos identificar com eles, reconhecer neles problemas nossos também. Assim, o fato de Espinosa (nosso protagonista) começar o livro sentado na Praça Mauá, faz com que todos nós nos lembremos de momentos assim em nossas vidas, em quaisquer outras praças. Um noir brasileiro, não tão denso quanto os clássicos de Dashiell Hammett ou Raymond Chandler, mas ainda assim um personagem quase tão real como os que encontramos na rua todos os dias.

O inspetor Espinosa tem um caso em mãos de um executivo morto no Edifício Garagem Menezes Cortes, no centro do Rio de Janeiro, dentro de seu carro, com um tiro, sem uma arma. Aí começaremos nossa confusão e tudo o que faz com que as nossas certezas sejam jogadas para o ralo, junto com a chuva... 

A história começa com o tal executivo cometendo suicídio... ou será que fomos enganados? Essa é a dúvida que temos ao longo do livro: nossos olhos nos enganaram ou foi o autor que está malandramente nos passando a perna?

Espinosa se envolve em diversas frentes de investigação ao longo da trama, cada uma levando a um possível resolução e nenhuma delas se concretizando. Personagens que somem, que chantageiam, que morrem e cada vez mais o cerco e o tempo se apertam ao redor dele. Outros personagens misteriosos aparecem para deixar a coisa ainda mais complicada para Espinosa, com direito a cenas de perseguição e tiroteios, bem medidas sem serem apelativas. 

Uma característica que dá um pouco nos nervos de alguns leitores, é a preferência de Espinosa em proteger as mulheres em detrimento dos homens, mesmo que estes também estejam em perigo. É uma escolha do autor dar esta característica a Espinosa, mas me incomodou um pouco. Espinosa adora um rabo-de-saia!

Por fim, senti que algumas pontas ficaram soltas, onde foi dada a dica, mas não houve a finalização, a conclusão. Mas não é por isso que deixarei de dar nota máxima a este primeiro romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza nem sequer deixarei de ler os demais livros nem de ver a série Espinosa, que estreará no canal GNT em breve. 

O próximo livro com Espinosa é Achados e Perdidos e assim que for lido, teremos resenha!


Abraços literários e até segunda!






Sobre o autor:


Nasceu em 1936, no Rio de Janeiro. Formado em filosofia e psicologia, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é autor de oito livros sobre psicanálise e filosofia. Deixou a vida acadêmica para dedicar-se à ficção policial e às investigações do delegado Espinosa, personagem central de quase todas as suas histórias.







Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Oi Raquel, eu não conhecia o livro ainda, mas fiquei bem curiosa já que adoro um bom romance policial. Logo que eu tiver oportunidade irei atrás dele!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ketrin!
      Eu tb o conheci há bem pouco tempo, mas me apaixonei assim que terminei de ler este... agora já tenho todos os outros...! Rs!
      Quando ler, venha aqui nos contar o que achou!
      Abs literários!

      Excluir
  2. Olá!
    Não conhecia o livro, mas adorei a premissa!
    Dica anotada, ótima resenha!
    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Jess!
      O livro é muito bom, o conheci há pouco tempo também!
      Quando ler, venha aqui deixar seus comentários!
      Abs literários!

      Excluir
  3. Olá! Não conhecia o livro, mas o título e sua resenha me deixaram louca para ler! Parece uma leitura intrigante, que mexe com a mente do leitor. Adorei a história. A capa não me agradou muito, pois sempre fico confusa quando o nome do autor se destaca mais que o título da obra, haha. Mas mesmo assim, com certeza, eu leria!

    Beijos,
    Fernanda Goulart,
    Império Imaginário.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Fernanda!
      Nossa, eu nunca tinha prestado atenção nesse detalhe do nome do autor se destacar mais que o da obra...
      Acho que não me incomoda... Tenho outros (vários) livros assim! kkk
      Mas creio que vc irá gostar!
      Abs literários!

      Excluir
  4. Oie, tudo bom?
    Gosto de livros policiais, mas não curto finais abertos porque abre margem para qualquer coisa. Não conhecia o livro, mas gostei do título da obra.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Aline. Tudo bom?
      Eu tb não curto finais abertos ou que alguma ponta fique solta. Aqui teve um pouco disto, mas nada que comprometa o livro.
      Abs literários!

      Excluir

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...