Café com Crime: Agatha Christie 125 anos


-Como uma das minhas próprias histórias de detetive. - mencionou a Srta Howard -
Um monte de escritos sem sentido, penso. O criminoso descoberto no último capítulo.
Todos são suspeitos, você quer saber o que realmente aconteceu. 
O Misterioso Caso de Styles, Agatha Christie.

Não é mistério! Todo mundo sabe que eu sou fã da Agatha Christie. Quase sempre tenho algo para falar dela nos meus posts. E nada mais justo que uma homenagem à nossa Rainha do Crime, nos seus 125 anos!



O que poucos sabem é o porquê de eu ser tão - literalmente - apaixonada por Dame Agatha. Ela foi meu primeiro contato com a leitura – pra valer. Eu sou uma leitora tardia (muito tardia) e foi por curiosidade, após uma conversa com a minha mãe (esta sim, uma leitora voraz) onde ela me contava o final (!) de “Assassinato no Expresso do Oriente”, que eu decidi ler (!) o bendito. Pronto, o “estrago” estava feito. Li todos os que tínhamos em casa: Os cinco porquinhos, Os elefantes não esquecem, Poirot Investiga, Assassinato no Campo de Golfe, (sempre com Poirot, minha mãe não é fã de Miss Marple) e O misterioso Sr. Quinn. Comecei a comprar os outros. Foram oitenta e tantos livros pescados em sebos, outros tantos que ganhei de presente, ordem alfabética na estante, lista para saber o que tinha e o que não tinha... Enfim! Era uma aventura. Li todos! Hoje eu não tenho mais aquela coleção e comecei outra. Coisas da vida.

Mas isso é a minha história com aquela senhora velhinha que já havia morrido antes de eu nascer, mas que ainda assim me encantou (e ainda encanta).  E muita gente tem uma história pra contar sobre sua relação com Agatha.

Agora, 125 anos após seu nascimento, ela ainda arrasta uma legião de fãs fieis e dedicados que compra seus livros; faz negócios milionários com contratos para adaptação de sua obra para cinema, TV, teatro, anime, etc; inspira muita gente a escrever seu primeiro livro ou conto policial. Quem nunca tentou descobrir o assassino antes do fim e deu com a cara na parede?

Há muito eu desisti de fazer um top 5 ou top 10 sobre os melhores dela na minha opinião. Prefiro fazer um “top-all” (rs!) porque todos são tops! Ou, pra não dizerem que eu sou puxa-saco demais, prefiro fazer um down-5, com os livros que eu não gosto... mas vou deixar para o final... Afinal, o mistério é o lance!

Muito se sabe sobre ela, muito já foi escrito – e ainda será – sobre a sua obra, sobre a sua vida, sobre seu método pra criar escrever, por que começou e tantos outros. Por isso hoje, neste primeiro post de homenagem sobre o seu aniversário – 125 anos a serem comemorados por todo o mundo no dia 15 de setembro – eu tentarei trazer algumas facetas de Dame Agatha, que ela deixou ao longo de sua obra.


Ela era uma romântica!

"Mas é realmente uma moça muito bonita, e creio que ela ama muito esse Jennings. Creio que vocês dois juntos conseguirão salvar esse homem de ser enforcado." - Os Detetives do Amor, in Três Ratos Cegos e outros contos

Através dos belos bigodes de Hercule Poirot – seu mais famoso detetive – vemos que o belga sempre faz de tudo o que pode para que casais apaixonados tenham seus finais felizes. Ele faz tudo muito discretamente (só o que pode chamar atenção é todo o resto!), mas qualquer leitor percebe esse ar romântico. Recentemente, ao ver o episódio The Incredible Theft, da série Poirot, percebemos que o Inspetor Japp ironiza essa situação onde um casal termina bem e Poirot fica meio constrangido, sem saber exatamente como dizer e fica sem palavras. Fazer finais felizes – dadas as devidas circunstâncias – era seu forte!


Ela era uma rebelde!

No melhor sentido da palavra, claro! Adorava desafios e quebrar regras. Sabemos que foi por um desafio da sua irmã que Agatha começou a escrever estórias de mistério. Quando começou a criar suas tramas, SS Van Dine já havia publicado suas “regras” para os livros de mistério/policiais. Agatha não seguia quase nenhuma (e acho que ela fez muito bem! Regras? Ha-há-há! Não, obrigada). 




Ela era uma comilona!

"Todos gostavam dele nos velhos tempos e, quando havia um jantar formal, esgueiravam-se até a copa, e ele lhes dava geleia e charlote quando a sobremesa voltava da sala de jantar." - Depois do Funeral

Não há nenhum livro de Dame Agatha em que não haja uma refeição a ser servida. E não eram só os chás da cinco, mas em alguns casos, verdadeiros banquetes foram servidos, como O Natal de Poirot. Há também os livros que fazem referências à comida e também à bebida em seus títulos: A Aventura do Pudim de Natal, Cem Gramas de Centeio, Café Preto, Treze à Mesa e Um Brinde de Cianureto. Ainda podemos lembrar-nos de Miss Ariadne Oliver (o alter-ego de Agatha), que vivia comendo maçãs; Poirot tinha suas idiossincrasias à mesa (achava a comida inglesa repugnante!) e adorava bebidas doces, como licor de cacau.


Ela era virginiana!

Os nascidos em setembro, como ela, sob o signo de virgem, tendem a ser metódicos e organizados; acredito que essa característica tenha sido extremamente marcante em Hercule Poirot - que tinha como lema "Ordem e método"; nossa Dama, ao contrário (pelo que foi revelado em sua biografia póstuma escrita por John Curran) tinha suas ideias anotadas em diversos cadernos, sem a tal ordem e método (Poirot se arrepiaria com sua criadora!), colocando-as lado a lado com receitas e anotações diversas!

Foto: Lpm-blog


E finalmente, Agatha era maravilhosa.

Sem medo de cair no óbvio, ela era é uma mulher multifuncional, que além de escrever prolificamente, ainda era apaixonada pela arqueologia, amor este reforçado quando do seu casamento com o renomado arqueólogo Max Mallowan. Alguns de seus livros tiveram a temática dos sítios arqueológicos em que ela ia com Max – Aventura em Bagdá, Morte na Mesopotâmia, Morte no Nilo, E no final a Morte.  Escreveu livros, peças de teatro, escreveu com outros autores, surfou no Havaí, andou de patins, foi enfermeira na 1ª Guerra Mundial, recebeu o título de DAME do Império Britânico (o correspondente feminino de SIR), além de ter mais de 80 livros publicados com seu nome, ainda escreveu mais alguns (não-policiais) com o pseudônimo de Mary Westmacott, foi mãe solteira quando se divorciou de seu primeiro marido, sumiu misteriosamente e teve um país inteiro procurando por ela... ufa! Enfim, ela fez de tudo e muito mais, e claro, muito sucesso! 

Foto: Lpm-blog



E como prometido, meus down-5 (os livros que eu não gostei de Agatha... Afinal, não se consegue agradar a todos!)

  • Passageiro para Frankfurt
  • Os quatro grandes
  • Os relógios
  • Um gato entre os pombos
  • Por que não pediram a Evans?


Por que estes? Bem, acho que seja apenas uma questão de gosto...

Espero que os mais aficionados por Agatha Christie não me levem a mal neste post. Esta foi somente uma forma que eu encontrei para homenagear aquela que também é minha escritora favorita!


E você, qual a sua história com Agatha Christie?

Abraços literários e até a semana que vem!


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