Café Amargo: Ghost writer - os escritores fantasmas, que escrevem os livros de gente famosa


 Quem são, e o que são, os Ghost writers? Você já ouviu falar neles? Em caso afirmativo, sabe como atuam? Como o próprio termo entrega, o ghost writer, em tradução livre, é um "escritor fantasma", ou seja, aquele que não leva os créditos pelo que escreve.



Mas qual é o sentido de escrever e não levar os créditos? Temos vários exemplos onde é possível entender o trabalho desse profissional. O CEO de uma grande empresa resolve escrever um livro. Mas você acha mesmo que é ele quem literalmente escreve? Normalmente, paga-se um profissional para fazer o trabalho em si. Os créditos e os direitos ficarão com o CEO, que pagou (uma boa grana, certamente) para alguém escrever a obra. O escritor-fantasma é, nesse caso, desde escritor, a investigador, entrevistador etc, para poder dar vida e alma à obra, como se ela tivesse sido efetivamente escrita pelo seu contratante.


A situação acima é comum também nas autobiografias. Em algumas delas, o fantasma nem é tão fantasma. Seu nome aparece, menor, mas aparece, indicando quem escreveu o livro. Cito como exemplo a autobiografia do roqueiro Ozzy Osbourne. Quem o conhece e leu o livro, percebe que parece o próprio Ozzy quem narra. Eu li e imaginava ele falando, com aquela voz titubeante dele e tudo o mais. Isso é fruto do talento de Chris Ayres, o homem que ouviu a história de Ozzy, pesquisou, organizou e sistematizou todas as informações, mantendo a integridade do discurso.

Também se utiliza o trabalho do Ghost writer na produção de discursos. Muito comum na política. As ditas "celebridades", pessoas famosas, geralmente usam dos serviços. É sempre bom lembrar que a grande maioria de nós, obviamente, não escreve profissionalmente. Mesmo que seja para contar a história da minha vida, eu teria extrema dificuldade em colocar isso no papel, de forma que parecesse com um livro de fato. Todavia, muitas vezes lemos livros sem nos dar conta de que o texto em si pode não ter sido escrito pela pessoa cujo nome aparece na capa. Outro exemplo são as encíclicas papais, geralmente escritas por profissionais. Mas a autoria oficial é, claro, do Papa.

O serviço não é barato. Deve variar bastante, mas em pesquisas, descobri que chega a algo em torno de R$ 40 mil reais, se for para pessoa física. Para uma editora, o custo é bem menor, mas mesmo assim ultrapassa os R$ 20 mil.

O livro Budapeste, de Chico Buarque, conta a história de um ghost writer chamado José Costa, especializado em escrever cartas, artigos e livros para terceiros. Falando em Chico Buarque, isso existe na música também. Nem sempre o compositor oficial, aquele que recebe os créditos e os direitos autorais, é o autor de fato.

Na literatura de ficção, também há casos. Esses ficam, normalmente, soterrados na História, sem visibilidade. Nem se toca no assunto, por assim dizer. Mas eles existem... sim, os fantasmas existem! Você não acredita?

Bom, não se deve jamais acusar sem provas, então não farei isso. Já conversei com ghost writers que trabalham para grandes editoras, que basicamente recebem as ideias de autores que não sabem como colocar as suas histórias no papel. Esses autores, que eventualmente vendem seus livros e se tornam até mesmo conhecidos, pagam bem por esse trabalho. Não sei quanto, e não sei quais autores brasileiros em destaque nas vitrines de belas livrarias já fizeram uso do serviço. Mas creia... eles existem.

Entretanto, há exemplos comprovados de uso de ghos writers na literatura ficcional, e estes eu posso citar sem medo de ser feliz (e nem de ser processado). Bem, até o mito da literatura de terror, Stephen King, já foi acusado de usar ghost writers (talvez pela intensa produtividade do cara), mas particularmente duvido muito disso.

James Patterson é um exemplo bem conhecido de autor que utiliza tal serviço. Hoje, ele até credita seus ghosts como co-autores, o que é bastante digno. Sério, não consigo imaginar um Saramago ou Machado de Assis usando ghosts, mas... bom, há gosto (e leitor) pra tudo, né?

John Kennedy chegou a ganhar um Pulitzer (prêmio importantíssimo do jornalismo estadunidense), em 1957. Décadas depois, em 2009, apareceu o verdadeiro autor da obra, Theodore Sorensen, que foi conselheiro do ex-presidente.

Há romances atribuídos a um certo Ellery Queen, mas essa pessoa... não existe! Queen é o personagem de uma série de livros policiais.

Do lado oposto, temos H. P. Lovecratf, que além de autor de vários clássicos do horror, ainda atuou como ghost de outros "escritores".

Recentemente, rolou uma polêmica em torno do lançamento de um livro da vlogueira Zoella. A editora responsável pelo seu livro, "Girl Online", acabou reconhecendo o uso dos serviços de uma ghost writer, após diversas especulações dos próprios fãs. A polêmica é de ordem ética. O livro não foi escrito pela vlogueira. Mas tornou-se um best seller instantâneo por levar o nome dela.
Enfim, há uma infinidade de situações desse tipo. O que me deixa mais "estarrecido" é perceber que há pessoas que realmente sonham em publicar livros, mas não tem o mínimo talento para tal. E, se tiver uma grana "sobrando", pode contratar alguém para escrever a "sua história". E acaba levando os créditos por uma obra que, de fato, não é sua. Chamem do que quiserem, e defendam como queiram. Mas o nome disso, para a minha pessoa, é "desonestidade intelectual". Eu amo música. Não toco nem triângulo. Seria incapaz de compor uma canção. Mesmo que tivesse muita grana, não pagaria alguém para compor uma música para chamar de minha. É mais ou menos por aí. Mas há quem entenda diferente. É um "serviço", é a "indústria cultural", o "mercado editorial" trabalha dessa forma... bom, há desculpas para tudo no mundo, de qualquer forma. Só sei que eu acharia muito, mas muito bizarro, se descobrisse que as canções dos Beatles não foram escritas pelos Beatles, e os livros de autores que adoro, como Cristóvão Tezza, Dalton Trevisan ou José Saramago não foram escritos por eles. Eu me sentiria enganado. Sacaneado. E você?

Agora, cara leitora, caro leitor, pasme! Afogue-se no mais insano espanto! Existe até site dando dicas de como lançar um livro sem escrever uma linha sequer! Clique aqui e sorria. Há até mesmo um aviso de que o procedimento é legal. Sim, é legal. O que não significa que seja moral, naturalmente. Se bem que eu posso imaginar que pessoas que encomendam seus trabalhos de conclusão de cursos não veriam nenhum tipo de problema nisso.

Para mais informações sobre o "caso Zoella" (eu disse "zoella" e não "zoeira"), clique aqui. E, neste outro site, encontrei as informações sobre os escritores fantasmas.

E aí? Discordam? Concordam? Comentem! ;)
                                                                               
                                                            
Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. Não sabia sobre esse tema abordado e me senti a idiota do ano!!
    Como podem fazer isso? que absurdo!!!
    Agora vou querer saber mais sobre o tema abordado, ótimo post
    bjus

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  2. Fabiano ótima postagem, eu vi um desses fantasmas em um episódio do CSI kkkkk e fiquei pasma, mas é realmente estranho você escrever e não receber todos ou ouros de um livro, um nome apenas faz sucesso, confesso que não concordo muito com isso. Nos casos de Biografia tudo bem, afinal tem toda uma pesquisa, entrevistas . abraços

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  3. Eu acho esse trabalho interessante, mas não sei se faria haha. É meio estranho, fulano escreve e famoso que ganha tudo por isso :x
    www.belapsicose.com

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  4. Eu acho esse trabalho interessante, mas não sei se faria haha. É meio estranho, fulano escreve e famoso que ganha tudo por isso :x
    www.belapsicose.com

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  5. Eu acho esse trabalho interessante, mas não sei se faria haha. É meio estranho, fulano escreve e famoso que ganha tudo por isso :x
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  6. Nossa, eu estou pasma...
    Como pode isso, acredito que é uma falta de ética e até de respeito isso. Como pode ser legal?
    Tudo bem que a grana é alta e vendo como um autor iniciante o valor que receberia pode ser que não alcance esse valor, mas como um escritor pode se submeter a isso? Ter todo o trabalho e deixar outros levar o crédito? Affe

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  7. Muitos escritores e celebridades fazem isso: Agatha Christie, J. K. Rowling, Danielle Stell, Nicholas Sparks, a gente que lê horrores percebe de longe, na música Elvis Presley, Beyoncé, Mariah Carey, aposto que também R.R.Martin, Harper Lee (vá, coloque um vigia), William Shakespeare. Na redeglobo então aposto que rola solto.

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