Café Amargo: 7 Dicas Para Escritores Iniciantes


Hoje não é dia de treta. Hoje é dia de fofura aqui no Letras com Cafeína!

Hoje é dia de... dicas!

O que faz um bom escritor? Pergunto especialmente a você, leitor/leitora, que escreve, ou pensa em escrever. Que sonha em ter um livro para chamar de seu. Que quer muito ver o seu próprio livro em destaque na vitrine de uma grande livraria. E vendendo horrores, de preferência.


Para dar o pontapé inicial ao artigo (ou post, como quiser), devo dizer que não tenho livros publicados, embora escreva há pelo menos uns 17 ou 18 anos, com razoável frequência. Devo dizer, ainda, que detesto praticamente tudo o que escrevi nos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000. Provavelmente porque eu não tinha foco no que estava fazendo, e muito menos disciplina. Um bom escritor precisa, antes de tudo, de DISCIPLINA. Essa é a palavra-chave, aliás, para todo tipo de atividade em que você pensa em se destacar.

Passeando pelas redes sociais, acabamos percebendo alguns tipos de novos escritores bem comuns. Temos aqueles que vão divulgando seus livros à medida que concluem os capítulos (sem revisão e sem saber se chegarão a concluí-los). Temos os reis do marketing, que ganham vários fãs antes mesmo de ser lidos (acredito que alguns perdem fãs, à medida que o livro é lido...), e, claro, aqueles que querem escrever, embora quase não leiam (esse é o tipo mais inusitado, embora não tão incomum). Também vejo autores que parecem mais preocupados com a capa de sua obra do que com o conteúdo em si (esses, quando caem na real, acabam virando capistas).


Dica 1 - não pense muito. Apenas escreva

Um dos problemas mais comuns que enfrentamos na hora de escrever é o famoso "branco". Deu um "branco" e não consigo sair da primeira linha. E agora, José? Pois é, Zé, agora você para de pensar na história, no roteiro, no enredo, na bezerra falecida, e começa a escrever. Palavra por palavra. Sem direção nem correção. Simplesmente desande a escrever. Sobre tudo, sobre nada, mas não pare. E escreva todos os dias. Até no Natal. De madrugada. No colégio. No trabalho. No celular. Na fila do banco. Sei lá. Onde der. Do jeito que der.


Dica 2 - dedique o máximo de tempo diário para escrever (e ler, naturalmente)

Enquanto você não colocar na sua cabeça que é necessário dedicar umas boas horas diárias (ou semanais, que seja) para se dedicar à escrita (incluindo a leitura, naturalmente), não sairá do zero a zero. Então, prezadxs... dica mais importante: dedique-se de verdade, se você realmente deseja isso. Se é apenas um hobby, tanto faz, mas se pensa em escrever profissionalmente, a dedicação deve ser a maior possível. Portanto, fique longe da TV, computador, celular e de tudo o mais que possa te distrair no pouco tempo de folga diária em sua rotina.


Dica 3 - em nome da fluidez, deixe os floreios e detalhes para a segunda versão

Outra dica útil, que venho usando: esqueça os detalhes, na primeira versão. Eles vão apenas travar a fluidez de seu texto. A segunda versão, que é onde enfeitamos o bolo, contemplará a riqueza de detalhes. Mas, na primeira, é cilada, e pode desanimar os mais afoitos.


Dica 4 - esqueça a ortografia e a gramática por enquanto

Ortografia e gramática? Sequer lembre da existência delas! Se você é o tipo de pessoa que verifica essas questões a cada duas ou três linhas, vai levar 80 anos para escrever uma obra de 300 páginas.

Se o objetivo é escrever um conto, e não um romance, as dicas são válidas também. Porém, no conto, como é um texto bem mais enxuto, talvez seja melhor já ter de antemão uma história razoavelmente delineada para contar. Do contrário, pode acontecer de você escrever 7, 8, 10 mil palavras e não achar uma saída para a história. Aí já vira um conto enorme, e de repente, nem conto é mais. Então, nesse caso, recomendo ter algo delineado minimamente. Lembrando que, no conto, você trabalhará com uma história específica e com poucos personagens.


Dica 5 - atenção aos diálogos. Eles devem soar naturais

Um problema dos mais sérios são os diálogos. O que ocorre com eles? Basicamente, leia os seus diálogos e imagine mentalmente a conversa. Ela parece natural? Parece real? Se não é crível, comece de novo. As conversas devem parecer com conversas de fato. Muitas vezes os diálogos ficam "duros", empolados ou sem vida. Escrever bons diálogos é uma arte, e reconheço que não tenho a mínima prática nisso. Estou tentando, dia após dia, mas é bem difícil. Porém, vale muito a pena, pois um livro que conte com conversas naturais conquistará o leitor com mais facilidade.


Dica 6 - não explique muito ao leitor. Ele deve entender por si

Não se preocupe em explicar demais as situações ao leitor. O texto precisa ser intuitivo o suficiente para que o leitor tire suas conclusões e entenda o que acontece pelo contexto. Tomando cuidado para não tornar o texto incompreensível, claro. Essa situação de explicação em excesso é comum nos diálogos, quando o escritor detalha os pormenores das reações dos personagens. Se os diálogos foram bem feitos, bastarão para que o leitor entenda como o personagem está se sentindo. Se o leitor não entender, pode haver algo errado com o texto (ou com o leitor, mas isso é outra história).


Dica 7 - faça uma lipoaspiração no texto

Enxugue o texto. Motivo? Fluidez, mais uma vez. Não trave o pobre leitor. Leia abaixo duas sentenças e compare-as:

A) Devo dizer que, definitivamente, não consigo entender o que está acontecendo com ela.
B) Não entendo o que acontece com ela.

Qual é a... menos pior, digamos? A de baixo. Por que? Diz o que deve ser dito, sem frescura nem enrolação. Eu exagerei um pouco na construção da primeira frase, mas é para mostrar a diferença de forma bem clara.

Bem, essas são algumas pequenas dicas que eu venho seguindo, e juro para vocês, funcionam, pois estou testando cada uma delas, e meus textos de fato estão ganhando corpo e qualidade, comparando com o que eu fazia anteriormente. Tem outras dicas e sugestões? Críticas? Manda chumbo!





A principal referência para a confecção deste post foi o livro :
KING, Stephen. Sobre a escrita: a arte em memórias. Rio de Janeiro: Suma de Letras, 2015. 256 p. (disponível em versão digital)

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