Café Com Crime: Um Mistério... Por Que Amamos Tanto O Mistério?





Pilar disse seriamente: Se eu tivesse um inimigo, se uma pessoa me odiasse e eu a odiasse, então eu cortaria a garganta dela assim...Ela fez um gesto inconfundível. E foi tão rápido e grosseiro que Stephen Farr ficou pasmo por um momento.
Ele disse: Você é uma jovem sanguinária!

O Natal de Poirot, Agatha Christie



Olá a todos! Eu sou a Raquel, detetive-amadora-escritora de plantão e esta é a coluna com um tema que muitos gostam: a literatura policial. Eu sou uma aficionada por este tipo de trama! E juntos vamos curtir muitos mistérios!

             Você já se perguntou porque o mistério, na sua forma de literatura policial, atrai tantos leitores aficionados ao longo do tempo e do espaço?

            Eu tenho algumas teorias, algumas pistas (vamos entrar no clima!) desenvolvidas ao longo de cascatas de livros que já passaram pela minha mão nos últimos anos. Nada científico, nada comprovado, mas como leitora voraz do gênero, pude filosofar um pouco acerca do assunto. Então, vamos divagar! Podem comentar, acrescentar, discordar! O espaço é democrático!

              Pista n°1: A ficção
            O crime de ficção, de mentirinha, permite que a gente olhe os detalhes técnicos e nojentos (corpos ensanguentados, em decomposição, tripas e... eca!, deixa pra lá...) - sem pensar que aquele corpo lá, estendido no universo do autor, seja de alguém de verdade. Ou mesmo alguém que você possa ter conhecido quando tomava um café ruim no botequim ruim da esquina. Não importa. Aquela pessoa não existe ou não existiu. A gente assiste a tudo do camarote e tem as notícias todas em primeira mão. Aquele monte de detalhe científico dá aquele gosto de realidade, de credibilidade à história e se você não for repórter, policial ou médico, você não teria como saber. Veja os livros que eles chamam de thrillers médicos. Um monte de autoras boas, como a Tess Gerritsen (da médica-legista Maura Isles e da policial Jane Rizzoli) e a Patricia Cornwell (da também médica-legista Kay Scarpetta). Quanto sucesso essas moças fazem. 

              Pista nº2: A justiça
            A questão da justiça. A gente sempre quer ver o bandido atrás das grades. E isso (quase) sempre tem nesses livros. Que bom saber que o bandido vai dormir no xilindró. Pelo menos ali o bem  vence (quase) sempre. Uma das condições que se impõe a um romance policial de sucesso é que o maniqueísmo (o bem versus o mal) esteja presente e que o bem vença, ou seja, que o culpado seja descoberto e seja levado às autoridades. Como eu disse, nem sempre essas coisas acontecem logo de cara, pois em alguns casos o criminoso não é preso para que a história tenha continuidade (como em uma saga ou trilogia).

           Então nós, reles mortais, podemos descansar nossa cabeça, pois sabemos que, pelo menos na ficção o nosso herói se deu bem! Sabem quem começou com esses livros bacanas? O Edgar Allan Poe, aquele dos livros de suspense, das histórias do Corvo e aquela do Gato (que medo daquele conto, tenho pavor de gatos até hoje!). Aí depois vieram o Arthur Conan Doyle (que criou o Sherlock, aquele bonitão) e a Agatha Christie (daquele baixinho inteligente do Poirot e da velhota Marple, fofoqueira que só, mas que presta uma atenção...). Os gringos chamam esse tipo de livro de whodunnit (em tradução livre “quem matou?”), onde sempre tem um assassinato e o detetive fazia a investigação e a explicação geral no final, pra todo mundo ouvir, fazendo tudo parecer tão óbvio e a gente sempre se perguntava: “por que eu não vi isso?” Se você já se fez essa pergunta, eu também. Por isso eles são escritores de sucesso!

                 Pista nº3: A intriga
            Sabe o que mais eu pensei? Que o mistério é uma forma de fofoca, que todo mundo adora. Não adianta mentir. Miss Marple diz que a natureza humana não muda e que tudo o que é oculto atrai a curiosidade ou o interesse, por diferentes motivos (as pessoas gostam de ter o que contar). Você já reparou que tudo tem jeito de mistério? Tudo mesmo. Pensa numa história infantil, como Os três porquinhos. Aí você está lendo e se pergunta: “será que os três porquinhos vão sobreviver ao lobo mau?”. Viu? É batata! A gente adora um fuxico. Pode adaptar a qualquer história, seja de livro, filme, novela. O final é o que importa! Quem, como, onde e por que? Usar o cérebro (nossas pequenas células cinzentas!) para desvendar um crime (assassinato ou não) é uma delícia!


             Pista nº4: A realidade
            Outra coisa que todo mundo gosta é o fato dos detetives se parecerem tanto com a gente. Os detetives dos livros são demais. Mesmo os que são da literatura noir*, que se metem em brigas, bebidas, mulheres e tudo mais, ainda são muito próximos de nós, não é? Surreal mesmo só o Poirot e o Sherlock, porque eles são estranhos demais. Perfeitinhos demais. Mas ainda assim são o máximo. Eu os adoro. E aqueles lugares fantásticos que eles descrevem? Até um beco escuro é mais atraente do que o lugar de verdade. Eles fazem tudo parecer bonito. Dá vontade de visitar. Eu já fui em alguns lugares em que se passaram algumas tramas de livros e é bem legal, dá aquela sensação... bem, não sei qual é o nome da sensação, só sei que é legal.

            O método utilizado nos livros é o mesmo que a polícia usa para resolver seus crimes e tem sido usado por outras instituições para outros fins, que é o método indiciário (falaremos mais dele em outra postagem). Trocando em miúdos, é usarmos as pistas disponíveis para resolvermos algum mistério.

            Espero que tenham gostado dessa nossa primeira incursão no mundo dos crimes. Segunda que vem tem mais! Deixem seus comentários e vamos trocando figurinhas até lá!


*Noir: escuro em francês, refere-se a uma linha de edição de romances policiais franceses, em que a editora Gallimard usava capas pretas com detalhes em amarelo (série noire). Foi um termo bastante utilizado para o cinema (film noir)




Comentários
9 Comentários

9 comentários:

  1. Oi Raquel, bom, não sou uma das fãs do gênero, na verdade muito raramente leio um livro policial. Entendo o que você quer dizer com o distanciamento da situação sendo um leitor, mas não concordo, muitas vezes personagens fictícios parecem tão reais que nos causa grande impacto. Bom, de qualquer forma muito legal a postagem!

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    1. Olá, Ju! É verdade que alguns personagens são tão reais que fazem isso com a gente. Tem gente que chora (eu!) quando determinados personagens se vão, mas percebo isso muito mais na aventura do que no romance policial em si (por exemplo, com o Harry Potter ou com os livros do Dan Brown). Na literatura policial, me parece que os personagens não chegam a exercer tanta influência antes de morrer ou que os detetives são tão detalhistas que às vezes chegamos a sentir uma certa raiva (eu, de novo!) quando eles solucionam o crime com todas as pistas que eles esfregaram na nossa cara durante todo o livro e a gente não vê, que não creio haver um apego muito grande. Bom, é o que eu penso, pois por ser meu gênero favorito e já ter lido um monte, é dessa forma que eu sinto! Muito obrigada pelo comentário!

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  2. Olá Raquel, adorei sua postagem, eu amo romances policiais e o que mais me prende na leitura e a expectativa de juntas as pista e conseguir descobrir antes do protagonista que é o culpado e nem sempre eu acerto o que deixa tudo mais emocionante <3

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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    1. Oi, Jéssica! Fica tranquila, eu (muita gente), não descobre o culpado ou quando intui quem seja, não desconfia do motivo!!
      Muito bom o seu blog, já está nos favoritos!
      Abs!

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  3. Respostas
    1. Obrigada, Britto! Toda segunda tem um post novo na coluna!
      Abs

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  4. Oi Raquel, tudo bem?
    Eu adoro tramas policiais. Sua postagem em forma de pistas ficou perfeita!!!! Agatha Christie é minha diva!!! Não só o que é oculto, acho que as pessoas são muito curiosas mesmo. Adoro o método do Poirot, a percepção que ele tem da natureza humana sempre foi o que mais me fascinou.
    Vamos ver que mistérios você irá trazer na próxima postagem, risos...
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Cila, obrigada pelo seu comentário!
      É bom saber que estamos agradando, né?
      Dame Agatha era a tal com o lance da Natureza Humana! Miss Marple tb sabe isso muito bem!
      Toda segunda tem um post novo, não deixe de conferir!
      Já estou conferindo seu blog e estou achando muito bacana!
      Abs literários e até a próxima!

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