Café Clássico: O Clássico no Tempo


Não é novidade alguma dizer que o processo de toda obra literária parte principalmente da inspiração, é ela quem vai levar a autora ou autor a se debruçar sobre a obra até atingir seu objetivo final.
A inspiração pode ser oriunda tanto de uma experiência pessoal , como de fatos históricos de grande impacto para a sociedade em que os autores viveram, ou ainda os dois juntos,pois é neste ponto que boa parte dos nossos consagrados clássicos mundiais funcionam não apenas como livro, mas sim como preciosos diários e verdadeiros mensageiros da história.



Os autores que se apropriam de inspirações históricas e pessoais são incontáveis, mas citarei alguns que muito me chamam a atenção quando leio sobre eles ou algo escrito por eles.

Liév Tolstói, o escritor russo, mesmo diante de todos os conflitos pessoais e morais em que vivia era capaz de grandes demostrações de generosidade, de família rica, Tolstói foi um homem moldado pelo tempo e pela constante observância dos rumos que a sociedade russa czarista do séc. XIX tomava, a Guerra da Crimeia em 1853 lhe inspirou um livro chamado  “ Contos de Sebastopol ", assim como “ Anna Karênina “ surgiu de um trágico fato ocorrido em sua cidade de uma mulher que se suicidara ao ser abandonada pelo amante, Tolstói também usou seus livros para fazer críticas a corte czarista, repleta de hipocrisia e afetação.

Críticas à sociedade ou à situação política nunca faltaram em um bom clássico que se preze, George Orwel soube registrar com maestria em seus livros, toda a carga pessimista que nutria em relação aos mais diversos temas, suas próprias privações financeiras foram relatadas em  seu primeiro livro “ Na Pior em Paris e em Londres”, e sua aversão a regimes totalitários nos livros “1984” e a “ A Revolução dos Bichos”, romances que levam o leitor a refletir em diversos momentos durante a leitura.
Essa visão por muitas vezes pessimista sobre o futuro da humanidade, era algo absolutamente normal para qualquer ser humano consciente e que presenciou os horrores da Segunda Guerra, no caso de “1984” , Orwel se utilizou de sua distopia para criticar os regimes coercitivos da época, mas ainda hoje podemos observar diversos trechos de seus livros que não só serviram para seu tempo, mas que curiosamente vemos concretizados em larga escala nos nossos, minha “preferida”é a manipulação da informação, muito bem resumida na frase emblemática abaixo, será que eu posso fazer uma camisa com ela?...rsrs.



Nessa lista temos o português Eça de Queiroz, um dos meus favoritos por sinal...rsrs..em ”O Crime do Padre Amaro” ele ataca sem pena as corrupções do clero assim como os valores morais da burguesia portuguesa de meados do século XIX, eu por sinal recomendo esse livro com todas as forças da minha alma ( baixou a Paola Bracho ).

E o que dizer de Jane Austen  com suas heroínas que de donzelas frágeis doidas para arrumar um
marido não tinham nada...rsrs..suas personagens fortes e decidias refletiam muito de suas própria personalidade e inconformidade com o modelo engessado de mulher de família de sua época.


Quanto aos produtos nacionais, José de Alencar foi um grande entusiasta do nacionalismo e vemos isso em obras que costumavam explorar e enaltecer a cultura brasileira, seja ela representada no sertanejo ou no Índio, José de Alencar perpassava por diversos níveis, retratava a vida urbana fluminense em obras como "Lucíola" e "Senhora", assim como fatos históricos no livro " A Guerra dos Mascates".
 .

Se fizermos a análise de alguns livros clássicos, comparando seus enredos com o momento histórico em que o livro foi escrito e lançado, certamente teremos uma compreensão muito maior do objetivo do autor quando o mesmo o escreveu, e compreendendo isso, você ganha certas vantagens em relação a outros leitores que não se utilizam desse artificio, isso porquê você será capaz de entender a obra a tal ponto que poderá praticamente ler os pensamentos do autor, e isso te digo sem medo de errar ou sombra de presunção, é um fato!, inserir o clássico no tempo é um exercício muito válido para quem quer extrair do livro tudo o que ele tem para oferecer e assim degustar melhor a leitura.





Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Olá!!!
    adorei o post, leio bem menos clássicos do que gostaria mas, estou tentando mudar isso! sou apaixonada pela Jane Austen acho suas obras incríveis, gosto muito do José de Alencar assim como muitas pessoas me vi obrigada a ler suas obras no ensino médio só que diferente de muitos me encantei completamente.por elas.
    beijão*...*
    http://notinhasderodape.blogspot.com.br

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  2. Olá! O post é um serviço social. apesar de ter minhas críticas a Alencar, concordo com o texto inclusive sobre o resgate social, muito importante. Austen está na minha estante de clássicos e estou tentando ter todos os livros delas, coleção completa :D Orwell é um gênio e Tolstói não fica atrás. Você trouxe grandes nomes para sustentar um texto já maravilhoso. Recordei de um livro sobre Teoria literária e Cultura que discorria justamente sobre isso.
    http://www.poesianaalma.com.br/

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