Mulheres na Literatura

Saudações, prezadas e prezados leitores!

Hoje quero tratar da literatura feita por mulheres, aqui no Café com Letras. Antes de mais nada, gostaria de saber se vocês já perceberam que são poucas as escritoras nas listas de livros clássicos. Por exemplo, entre os livros solicitados em vestibulares. Por que será que isso acontece?





Em nosso mundão branco, heteronormativo e religioso, não é de espantar que a maioria dos escritores seja homem e branco. Temos poucos escritores negros, assim como relativamente poucas mulheres nas listas dos maiores do mundo. O motivo básico é óbvio: falta de oportunidade. Preconceito. Marginalização. Se ainda hoje somos obrigados a conviver com pessoas e grupos sociais que não aceitam abrir mão de seus domínios, nem dividir os espaços sociais, podemos imaginar como eram as coisas há décadas ou centenas de anos. Qualquer pessoa minimamente bem informada sabe que mulheres e negros, para ficar em dois exemplos, sequer eram considerados seres humanos há cem anos. Eram, tanto um grupo quanto o outro, meros objetos para uso de seus senhores homens e brancos. Em linhas bem gerais, era isso. Neste contexto, devemos sobrevalorizar as pessoas desses grupos marginais, que conseguiram, em momentos históricos desfavoráveis, destacar-se de alguma forma. Nas artes (a literatura, dentre elas), a ciência, a política.

É nesse espírito que gostaria de comentar algumas autoras e obras. Hoje, temos muitas, mas muitas escritoras, realmente. Isso é fantástico. Mas é bom que se diga: é também conquista de anos de batalhas sociais.

Vamos a algumas escritoras que se destacaram de alguma forma, então. Não pretendo parar neste post. Teremos outros que se interligarão a este, com o intuito de mostrar escritoras de talento e prestígio. Famosas e nem tão famosas.

Então, bora, tigrada!

Patricia Melo

Escritora brasileira, que escreve basicamente histórias policiais, fazendo uso de um humor ácido e cortante. São, em geral, livros relativamente curtos, daqueles que se leem rapidamente, sem pausa para respirar. Dois títulos que recomendo são Acqua Toffana, com uma linguagem bem underground, com cara de roteiro de cinema, tudo muito acelerado, extremamente envolvente. E O Elogio da Mentira, que é simplesmente espetacular.Hilário, corrosivo, mordaz, sádico, demente. Se você curte coisas incomuns, mergulhe de corpo e alma nessa gigantesca obra.









Lya Luft
Lya Luft

"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não  sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem." (Preciso mesmo dizer algo mais?)





Isabel Allende

Sobrinha de Salvador Allende, presidente chileno deposto e assassinado por aqueles que iniciariam uma das ditaduras mais sangrentes da América Latina. A obra de Isabel é ficcional, mas permeada pelos anos de chumbo de sua juventude, e a ficção é mero pano de fundo para histórias autobiográficas. Seu estilo é limpo e bonito, além de caloroso e humano. Os personagens ganham cores vivas, e é fácil, extremamente fácil se apaixonar por eles. Recomendo muito A Casa dos Espíritos (que também ganhou filme), Paula (para sua filha, vitima de grave enfermidade que a levou à morte) e Zorro - Começa a Lenda, que é a versão da autora para o surgimento da lenda do Zorro, herói mítico que ganha contornos super-humanos nesse relato impressionante e catártico.

Carolina Maria de Jesus

Essa merece um tópico à parte. Mulher, pobre, negra, em plenos anos 50. Seu livro mais conhecido, O Quarto de Despejo, foi traduzido para 13 idiomas. Um clássico que dá voz aos excluídos e marginalizados, numa época em que essa voz praticamente não era ouvida. Escritora e catadora de papel, Carolina descreve a realidade de muitos. E sua obra é bastante atual, do ponto de vista conceitual, no sentido da invisibilidade daqueles que vivem às margens da sociedade. Trecho de uma obra: "... Eu classifico São Paulo assim: O Palácio, é a sala de visitas. A prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos."

Chimamanda Adichie


Nigeriana e feminista, Chimamanda ganhou notoriedade por suas palestras no TED ("O perigo das histórias únicas" e "Todos nós deveríamos ser feministas") e pela inclusão de trecho de um discurso seu na música Flawless, de Beyoncé.







Mary Shelley

Simplesmente a autora do atemporal Frankeinstein. Clássico absoluto, de uma qualidade literária poucas vezes alcançada. A autora teve uma vida muito difícil, o que se refletiu em sua obra, melancólica e profunda. Escreveu poucos, mas memoráveis livros, como O Último Homem, que foi uma grande influência para as obras de ficção científica que viriam depois.




Xinran


Escritora chinesa, atua também como colunista do jornal The Guardian e professora. Suas obras versam sobre a condição da mulher na China. Considerada uma das melhores escritoras do século XXI, ainda deve lançar outros livros, sempre com um pé na realidade. Relatos vívidos de histórias vividas costumam ter uma tessitura firme, fugindo de clichês e bobagens como as tantas que vemos no mundo literário. Nada contra as bobagens, mas a vida real supera a ficção, muitas vezes.






Neste post, cito essas sete autoras. Pretendo comentar sobre escritoras femininas e feministas eventualmente, e com mais profundidade, dependendo também da repercussão deste. Por favor, citem escritoras que considerem interessantes, relevantes ou que simplesmente vocês curtam!

Aquele abraço, galera :D






Comentários
15 Comentários

15 comentários:

  1. É uma pena que as mulheres antigamente não tinham tanta oportunidade de escrever.
    Havia muito preconceito. Uma das melhores que me lembro agora é Jane Austen.
    No Brasil temos a Clarice Lispector.
    Hoje em dia há muitas mulheres escrevendo. E isso é ótimo para a literatura.
    Belo post.
    Abraço.
    www.diegomorais18.blogspot.com.br

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  2. Muito bom o post, faltou umas escritoras importantes como Rachel de Queiroz, Cora Coralina, Ana Maria Machado entre outras. Mas, como você mesma disse que a lista está incompleta e pretende escrever mais frequentemente está bom.

    Abraço.

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  3. Olá Fabiano, você escolheu um ótimo tema para o post. Abordando de forma bastante clara.
    As minhas escritoras preferidas são Jane Austen e Clarice Lispector.
    Sucesso ao blog, abraços.

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  4. Olá,
    excelente post, e eu poderia sugerir uma lista ainda maior de escritoras talentosas, mas acredito que o post seria gigante. Lamentável que ainda tem gente que acredita que nem negro e nem mulher possa escrever tão bem quanto qualquer outra pessoa. Minhas leituras policiais começaram com Sir Arthur Conan Doyle mas foi acompanhada por Agatha Christie e seu Hercule Poirot que nada devem ao Sherlock Holmes, e o que falar de Mary Shelley, Virginia Wolf, e muitas outras... como eu disse a lista é enorme.
    Parabéns pelo post.
    um abraço,

    www.navioerrante.blogspot.com.br

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  5. Adorei o tema do post, existe muitas escritoras muito talentosas.

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  6. Olá!!

    Muito bom esse post, fico feliz em ver que hoje nosso espaço é muito maior. Confesso que não li nenhuma dessas autoras, mas tenho uma amiga que é apaixonada emIsabel Allende, vou pedir um livro emprestado.


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  7. Olá, tudo bem?
    Não li nenhuma dessas autoras, mas me interessei pela Isabel Allende, já que ela conta sobre a ditadura chilena.
    Senti falta da JK.
    Abraço, estou seguindo (aliás, achei esse layout super, hiper, ultra, mega lindo ehuehue).
    Beijo.
    Choque Literário

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  8. Adorei seu post, já que ele mostra bastante como a mulher conseguiu seu espaço no mundo, principalmente na leitura. Um bom exemplo era as autoras, como J.K que usavam nomes masculinos ou siglas, porque se fosse um livro escrito por mulher não teria nem muitas vendas! Hoje percebemos o quanto isso é contrário e sou tão orgulhosa!
    Beijos

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  9. Só li um livro de um das autoras que você destacou nessa postagem, a Lya Luft. Pra falar a verdade, não curti. Talvez tenha sido o livro errado, ou o momento errado... tenho vontade de ler outro dela pra ver se gosto. Bem legal a ideia da postagem!

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  10. Oi Fabiano, tudo bem?
    É muito gratificante para mim, entrar em um blog e me deparar com uma postagem de qualidade como a sua. Gostaria de lhe dar os parabéns. Lya Luft me impressionou com seu depoimento forte, essa pelo visto é guerreira; Carolina Maria de Jesus me surpreendeu, adorei o que ela falou no final, nossa, um verdadeiro "tapa na cara". Xinran me pareceu ser uma daquelas pessoas que tem algo muito importante a dizer.
    Ficarei muito feliz se der prosseguimento a essa postagem.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  11. Oi Fabiano, sua postagem foi muito instrutiva, é bom conhecer ou saber mais sobre autoras que de alguma forma influenciaram na literatura ou que se arriscaram a não ser mais do mesmo. Fiquei interessada principalmente na obra de Carolina Maria de Jesus, pelo que você disse a obra dela parece transparecer realidade e isso é um fator que me agrada em romances :)

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  12. Ola Fabiano uma postagem maravilhosa além de valorizar nossos talentos femininos, realmente temos poucas indicações de escritoras principalmente na literatura. Das indicadas, já li Lya e adoro seus livros sempre diretos, reais e de uma realidade que entra em nossos dia a dia e em nossas emoções. abraços

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  13. Olá Fabiano, adorei a postagem e conhecer essa autoras, vou procurar conhecer um pouco mais das obras delas e com certeza preciso ler algo da Patricia Melo, amo romance policial <3

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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  14. Oi, Fabiano!
    Adorei o post, tema bem legal pra ser abordado. Antigamente as mulheres não tinham muito espaço para nada, muito menos para a escrita.

    Beijinhos
    Jaque - Meus Livros, Meu Mundo.

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  15. Olá... tudo bem??

    Aquela época para as mulheres eram horríveis... esse negócio que a mulher já nascia com seu futuro marido escolhido e ela era educada para ser uma boa esposa (escrava) e nada mais... nossa isso é de arrasar... sempre agradeço por ter nascido nesse meu tempo porque o jeito que eu sou eu teria apanhado muito, mas também tinha causado uma bela confusão... adorei o comentário da Lya, ela disse tudo... esse negócio de que a mulher é frágil acabou há muito tempo... temos as coitada e inseguras, mas graças a Deus temos em sua maioria mulheres corajosas.... Xero!

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