2014, um ano pesado para a literatura (grandes escritores que nos deixaram) - parte 1 de 2

Daê, galera literária, beleza? Pois é, estou aqui, fazendo uso desse estimado espaço, para comentar a dureza que foi esse ano de 2014 para os fãs da literatura. A arte em si perdeu muito, pois grandes nomes das letras partiram. Tá morrendo gente que nunca morreu antes... parece história do Martin, o matador-mor da literatura mundial. Mas não. Não é história. É a realidade, e ela não foi querida conosco esse ano. Pois vejamos:

João Ubaldo Ribeiro

O baiano João Ubaldo Ribeiro faleceu em 18 de julho. Autor de estilo irônico com boas pitadas de humor, notabilizou-se por "desfraldar" a alma brasileira. Grande parte de sua popularidade se deve às adaptações de obras para cinema e televisão. Alguns de seus livros: "Sargento Getúlio" (1971); "Viva o Povo Brasileiro" (1984); "A Casa dos Budas Ditosos" (1999). Este último foi publicado na série "Plenos Pecados", da Editora Objetiva. Trata da luxúria, e a obra gerou polêmica, o que não chega a ser uma surpresa, pois lida com o liberalismo sexual num país genuinamente conservador.










Apenas 5 dias depois, em 23 de julho, outro choque: morre ninguém menos que o mítico Ariano Suassuna. Trolagem épica do destino. Ariano Vilar Suassuna, 87 anos, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta, nascido em João Pessoa. Famosíssimo pelo Auto da Compadecida, que ganhou uma minissérie absolutamente extraordinária em 1999 (denominada O Auto da Compadecida), trazendo vários atores renomados, como Matheus Nachtergaele e Selton Mello nos principais papeis. A minissérie virou filme, e o nome de Suassuna se manteve muito forte desde então, mesmo que a obra original, uma peça teatral, não seja tão consumida quanto a versão televisiva. Sua obra tem teor regionalista, trazendo elementos da cultura e da tradição religiosa do Nordeste. Nacionalista radical, demonstrava má vontade com tudo o que vinha de fora (detestava Michael Jackson e Madonna, por exemplo), além de ter sido opositor ferrenho do Movimento Manguebeat, liderado por Chico Science nos anos 90. Por conta desse modo de pensar e de ver a vida, fundou o Movimento Armorial, que buscava a criação de uma cultura erudita baseada na tradição popular. Coerentemente, sua obra orbita em torno desse ideal. Seu processo criativo era lento: Escrevia e reescrevia à mão, várias vezes, antes de passar para a máquina de escrever. Depois, revisava, repassava novamente à mão, e ainda ilustrava os próprios livros. Não é difícil entender a qualidade de sua obra...

Julho foi o mês do mal para a literatura brazuca. Outro escritor falecido no mês, ao terceiro dia, foi o poeta, jornalista e crítico literário Ivan Junqueira. Nascido e falecido na cidade do Rio de Janeiro, foi um grande incentivador da poesia, além de ter trabalhado em diversos jornais e revistas. Recebeu vários prêmios literários em sua jornada. Sua obra poética girava em torno de questões políticas e metafísicas. Confira AQUI alguns de seus poemas.

Rubem Alves
No dia 19 de (adivinhe...) julho, foi a vez do popularíssimo Rubem Alves. Mais conhecido como pedagogo, deixou um buraco na alma de milhares de pessoas que o tinham como referência na área. Autor prolífico, escreveu crônicas, livros religiosos, infanto-juvenis, além de ter se aventurado em teologia e temas religiosos. Escreveu ainda livros bem populares na área de educação, como "Conversas com quem gosta de ensinar" e "A alegria de ensinar", que eu li e gostei muito. O educador-sonhador nos mostra como educar sem deixar de sonhar. Critica o sistema educacional, lá de baixo até o topo da pirâmide, como mero replicador de conhecimentos, jogados prontos aos porcos (ou alunos). Defende a força da criatividade e do verdadeiro “pensar”, em antítese à mera recepção de idéias prontas. Um livro curto, mas inspirador. A teoria de Charlie Brown, sobre a falta de sentido da educação tal como ela funciona, é sensacional!

Para o post não ficar muito longo, farei uma segunda parte, com outros três escritores. A esperança nossa de cada dia está no surgimento de novos nomes, e isso vem ocorrendo, mesmo que de forma lenta. Talentos existem, nascem todos os dias, e são como diamantes. Devem ser dilapidados. Assim como incentivados e publicados, naturalmente. Há muitos escritores anônimos por aí, esperando apenas uma oportunidade de se tornarem conhecidos. :)
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Olá, eu te indiquei pra responder uma tag. Da uma olhadinha lá.

    http://livroscafeesonhos.blogspot.com.br/

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  2. Um dos muitos dons da escrita é o da imortalidade. Serão sempre lembrados.

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    1. Sem dúvida, Flávio! E obrigado pela visita :)

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  3. Realmente este foi ano de duras perdas literárias.
    Mas, como já foi relatado, estes autores serão imortalizados através de suas obras.
    Bela homenagem. Parabéns!

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